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Enfim, bípedes.

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Quando a gente tem filhos, obtém licença poética para falar deles.
E isso, é claro, já começa intra-útero.
Ainda grávida tomei por hábito de chamar os pequenos de lêmures (daí vem o nome do blog que vos falo), por “remexerem muito” por aqui.
E sim, eles mexiam muito, meiam tanto que era difícil dormir.
Alice então, mexia tanto que depois que nasceram, minha mãe me confessou que morria de medo do Pedro nascer com alguma sequela porque ela empurrava ele demais.

E isso não mudou fora da barriga.
Alice permanece atormentando Pedro. Atiça, bate, puxa cabelo, ao mesmo tempo que brinca, ri, faz carinho.
Pedro também não é tão bobo quanto parece, revida quando menos esperamos, e tem um olhar de apaixonado pela irmã, que só vendo.

Pra variar, Alice começou a andar primeiro, ainda com 10 meses.
E Pedro ensaiou passos, ensaiou, ensaiou, ensaiou…
Algumas vezes se arriscou, atrás da irmã, obvio.
Achei que seria rápido, mas, cá estamos com 14 meses, quase 15.
E há uma semana enfim ele tomou coragem, se soltou e foi.
Sozinho, da cadeira pro rack, do rack pra cadeira. Depois da mamãe pro fogão, do fogão para a mamãe.
E assim temos aumentado as distâncias.
E ele tem ganho coragem, segurança e confiança, sempre sob o olhar atento e as palmas de parabéns e incentivo da irmã.

E conforme os filhos crescem e se distinguem, o amor parece que multiplica.
E passei a preservar cada vez mais a peculiaridades de cada um.

A jaguatirica que é Alice, estrondosa, espalhafatosa, imitadora, sedenta por risadas, temperamental, aquela que acorda com um sorriso e rola pro meu lado e fica falando na língua dos minions até querer levantar. Ela veio pra me fazer rir, e ao vê-la  tão parecida comigo, me lembra diariamente que um dia fui criança, e que essa criança ainda habita em mim.

O orangotango que é o Pedro, doce, compenetrado, olhar penetrante, que gosta de ficar agarradinho fazendo carinho, debochado que ri quando a irmã está fazendo algum drama. ele me ensina sempre a ter paciência, que o tempo é diferente para cada um, e que o mundo é doce, tão doce como o carinho na orelha para dormir.

E nós três que aprendemos juntos a sorrir, a rolar, a engatinhar… Finalmente aprendemos a andar. Juntos.
Obrigada queridos filhos, por me fazerem enxergar como um ato tão simples que repetimos todos os dias, pode ser um evento tão mágico e inesquecível.
E assim seguimos,bípedes.
Pé ante pé. Lado a lado.

E quem disse que esse era um post para falar dos filhos? 😉

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Keep Calm and turn 30

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Amanhã eu completo 30. 
30 anos? Não. 
30 semanas. 
210 dias. 
7 meses e uns quebrados. 

Em 26 dessas semanas eu sabia que estava grávida. 
Em 25 dessas semanas eu sabia que seriam gêmeos. 

Sinceramente, não achei que a gestação fosse chegar tão longe. 
Primeiro por todos os perrengues prévios que passei, nessa gestação e na outra. 
E também pelo fato de TODO MUNDO falar que gêmeos nascem prematuros extremos. 
Alguns sim, mas os meus já não. 

30 semanas é um marco. Assim como os 30 anos, talvez. 
É um marco pra mim, pra minha gestação. 
É um pouco mais de tranquilidade e serenidade. 
Um pouquinho só, que pra mim já é muito.

30 semanas é saber que falta um pouquinho menos pra gravidez acabar (e nunca mais voltar) e levar embora todas as minhas dores e desamores gestacionais. 
Falta um pouquinho menos pros meus pacotinhos estarem comigo, aqui, no aconchego da minha casa, me dando trabalho e cagando-mijando-mamando-berrando sem parar. 
Falta um pouquinho menos pra peitos doídos, noites em claro, limpar cocô de mecônio… 
Mas mal posso esperar!
Mal posso esperar pra ver meu amor, ali, naquelas duas coisinhas remexedoras.
Falta pouco. Pouquinho. 

E sim, eles estão bem e gorduchinhos segundo a ultima ultrassonografia. 

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Alma gêmea?!

Carne e unha, alma gêmea, bate coraçããããão…

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Esses dias eu estava pensando cá com meus botões: Será que irmãos gêmeos são almas gêmeas?
Ou será que isso tudo é viagem da minha cabeça?!
Ou será que foi porque o vizinho colocou Fabio Júnior no último volume aqui do lado?
Sei lá, mas enfim…

Pare pra pensar comigo, e veja: que bosta de vida é essa que a gente vive correndo atrás de alguém pra ser a nossa metade? Eu hein. Tô feliz de ser inteira, inteirinha. Com todas as minhas ziquiziras, chatices e maluquices. Gosta de mim, joinha, se não gosta, não sabe o que tá perdendo. AHAHAHAHAHAHAHA
Mentira, não sou tão convencida assim, mas também não me esforço pra agradar a quem não me agrada, muito menos pra agradar a quem entrou na minha vida por agora. Tô mais disposta pros antigos e verdadeiros, que por sinal me aceitam assim… meio no bagaço, mas com duas sementes germinando aqui dentro.

Todo mundo tem pereba (Só a bailarina que não tem), então ninguém vai ser perfeito suficiente pra você virar e dizer: ACHEI A MINHA METADE.
Então parem com essa loucura chatabagarai de procurar suas almas gêmeas, já dizia Padre Quevedo: Isso NON ECXISTE!!!