Cuidado ou controle?

Eu tenho estudado muito sobre cuidado.
E quando falo sobre isso com as pessoas, estudadas ou não, muitas delas me dão um feedback que eu não queria ter.
Associam cuidado com o outro a ter controle sobre ele e todas as circunstâncias que o possam fazer mal, associam esse cuidado à culpa inerente do ser humano ao ver algo sair do seu controle.

Mas vejam bem, cuidar não é controlar, nem de longe.
Cuidar é como alguns psicanalistas descreveram, como algo inato, que todos nós possuimos, o sentimento do cuidar, de nos sentirmos responsáveis pelo outro, de nos solidarizarmos pelo outro, o ajudar e principalmente o facilitar.

Facilitar sim, por que não?!
Facilitar aquela pessoa a seguir a própria vida com os próprios passos, dados com as próprias pernas.
O facilitador está ali para ser o abraço num momento difícil, a mão que ajuda a levantar, o incentivo quando já não acha mais solução nem acredita que algo possa melhorar.

Aqui escrevo com um no colo e a outra brincando com suas bonecas (veja só, está amamentando ali no sofá! rs). E muitas vezes, eu mesma me perco nesse des-controle que tenho sobre eles. Cada um de meus filhos é um indivíduo único, com suas peculiaridades. E cada um exige de mim um cuidado especifico, porque obviamente eles têm suas especificidades.
E posso fazer aqui uma mea culpa de que muitas vezes, e muitas vezes, eu tento controlá-los, mas voluntariosos que são, raramente eles me deixam ser a protagonista da vida deles. Na maioria das vezes eles assumem as rédeas das situações e são responsáveis por si mesmos. E no fim das contas, apenas facilito-os a encontrarem seus caminhos para o que é preciso.

Mamãe foi assim comigo praticamente minha vida toda. Uma facilitadora. Me mostrava uma vez como funcionava e na segunda era um “vai lá que agora você vai fazer sozinha”. E sou MUITO grata a ela por isso, por ter criado em mim essa consciência auto-suficiente. É claro que em alguns momentos ela quis (algumas conseguiu) tomar controle sobre algo, mas vamos combinar uma coisa? Ela é mãe, e sabemos que mães gostam de ser controladoras.

Tá confuso o que eu tô falando?!
Eu sou confusa mesmo, minha terapeuta bem o sabe.

Domingo é Dia das Mães, e eu queria dizer pra toda mãe que me lê isso, sabe?!
Não confunda cuidado com controle, não transforme seus filhos em marionetes.
Transforme-os em seres pensantes, indivíduos com suas personalidades, quereres e saberes.
Facilite suas descobertas, seu desenvolvimento.
Seja apoio, abraço, colo, carinho.
Eles sempre estarão com você, mas eles não são você.
Feliz Dia das Mães.

wired

Ilustração: Agócz Írisz

 

“Para cuidar é preciso exposição ao outro. Aceitação do outro como ele é, mas também oferta de acolhimento ao que nele pede passagem. Aceitar o outro como ele é, mas também oferecer acolhimento ao ‘tornar-se o que se é’.”
Ricardo Burg Cecim e Analice de Lima Palombini

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