Amamentar não é divino?

P&A Setembro (140)

Já cantava Gal “tudo é divino, maravilhoso”, mas eu prefiro “é preciso estar atento e forte”.

Eu, Carol, não tive grandes problemas para amamentar os gêmeos, assim que saíram da maternidade, nem mesmo na maternidade. Saí sim, com uma receita de leite artificial para complementar após todas as mamadas, o que eu, munida de conhecimento, nunca fiz, afinal, o que eu não me preparei para um parto, eu me preparei para a amamentação e cuidados com os bebês nos primeiros meses.

Mas eu de fato fui abençoada pelos céus em relação a isso. Graças a faculdade de Fonoaudiologia, eu conhecia as técnicas de pega e estimulação para que ambos tivessem uma sucção efetiva, com isso não tive qualquer problema de manejo como, fissura, rachadura, ganho de peso insatisfatório, nada. Incrivelmente ambos nasceram sabendo mamar.

Só que essa é a realidade de 1% das mães.
Os outros 99%, terão seus bebês expostos a leite artificial nas primeiras 24 horas de vida, pois “o colostro não sustenta”, o “leite não desceu” ou sei lá porque cargas d’água, a criança está sendo testada a cada hora para hipoglicemia, ou simplesmente porque é política do hospital, não fazem alojamento conjunto, em vez de a criança estar com a mãe fazendo seu reconhecimento e a mesma ter seu corpo encharcado por ocitocina, o bebê está lá no berço de vidro aquecido, sendo fotografado/medido/pesado.
Essa maioria esmagadora das mães terá problemas de manejo, terão fissuras, dores, sangramentos, mastites, indicações erradas de medicamento e terapias e muito provavelmente encontrarão profissionais de saúde pouco comprometidos com a amamentação, e ao menor problema teremos o combo leite artificial e desmame abrupto.

Outras mães, não quiseram/querem amamentar, isso é direito delas, nada nessa vida deve ser compulsório, nem mesmo amamentação. E devem ser respeitadas por isso. Ainda existem outras que tem condições físicas que impedem a amamentação. Outras passando por psicose puerperal… Nem tudo só fisiologia, precisamos entender isso.

O que é triste, triste mesmo de se ver é o desencorajamento, dos profissionais da saúde, da família, dos amigos.
Para amamentar no Brasil, onde a média de dias amamentados é de apenas 54, é preciso muito mais que “empoderamento”, é preciso de apoio, suporte, coragem. É preciso estar atento e forte, para não ceder, para tratar qualquer intercorrência no primeiro sintoma, para não tomar uma experiência maravilhosa como pequenas doses de inferno.

Precisamos acolher essas mulheres que não puderam/quiseram amamentar. Nutrir de seu próprio leite não faz ninguém ser melhor ou pior em sua maternagem. Precisamos dar suporte para quem deseja prosseguir amamentando ou voltar a amamentar. Precisamos entender que somos mulheres, caminhando uma ao lado da outra, e que juntas somos mais fortes. Juntas podemos mudar o cenário brasileiro de amamentação, basta nos apoiarmos.

Se você precisa de ajuda, ou quer conversar, me chame, estou aqui para isso.
Se eu não puder te ajudar, vou fazer o máximo possível para encontrar alguém que possa.
=D

E por favor, vamos parar de divinificar as mães que amamentam.
Elas são apenas mães, não deusas.

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Alice sendo amamentada no primeiro dia de vida.

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Pedro e seu incessante reflexo de busca.

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2 comentários sobre “Amamentar não é divino?

  1. Carolina, por causa de outro blog caí no seu e adorei.
    Eu tive “problemas” para amamentar a minha filha prematura de 36 semanas no hospital. Por falta de informação das enfermeiras da minha ala, que não queriam que eu ficasse sentada ainda sob o efeito da anestesia, não consegui que a minha filha fosse amamentada nas primeiras horas. E também teve aferição de glicemia de 6 em 6 horas. Ai uma das enfermeiras chegou a conclusão que o meu leite não era “bom o suficiente” para a minha filha e apresentou o complemento.
    Felizmente tive alta e em casa pude fazer o que a minha intuição e instinto de mãe mandava, dei somente o meu leite, em livre demanda. Minha filha engordou mais de 1kg no primeiro mês.
    Não existe leite fraco! Persistam mamães! Sigam os seus instintos.

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