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Seja a mudança que você quer ver no mundo…

Young Monks in Red Robes with Alms Woks, Myanmar

Foto: Keren Su

“Seja a mudança que você quer ver no mundo.” Mahatma Gandhi

Sempre achei essa frase complexa.
Que tipo de mudança eu gostaria de ver? Por que começar por mim? Eu deveria me destacar dos demais por quê?

E de fato, passei boa parte da minha vida fazendo um esforço excruciante para pertencer a algum grupo, exigi de mim mesma comportamentos que não me são naturais, como meiguice e simpatia. Quem me conhece a fundo, sabe que na verdade eu sou um daqueles bichinhos de goiaba, que a gente só percebe que está lá, quando já devorou metade da fruta e o bichinho fica querendo se esconder. Essa sou eu. Não a espalhafatosa. O bichinho de goiaba.
A espalhafatosa existe? Existe. Mas ela exige muito. Muita energia, muita comida e atenção redobrada para não fazer ou falar alguma bobagem.

Já contei por aqui, que a maternidade foi um processo de re-conhecimento de mim mesma. Re-conhecer algo que deixei perdido em algum momento da minha vida e resolvi retomar, a introspecção. E descobri que essa minha face mais calma e calada de mim mesma não é ruim, pelo menos não para mim, ela me ajuda a colocar o turbilhão pensamentos e sentimentos que a minha mente sempre foi em ordem, e acaba me fazendo enxergar as coisas com mais clareza.

Esses dias, estava conversando com um amigo muito querido, vimos o quanto mudamos ao longo dos anos que passaram. Ambos éramos pessoas muito raivosas e respondonas, não que não sejamos hoje, mas conseguimos manter diálogos entre nós e entre outras pessoas com um mínimo de racionalidade e empatia que não conseguíamos. O que nos fez mudar? Não sei ao certo, talvez tenha sido a idade, os entes queridos, as experiências passadas, não sei. Só sei que alguma coisa aconteceu, metamorfoseamos. Hoje enxergo o quanto essa mudança de visão e comportamento foi boa para mim, e pra ele também, não necessariamente é boa para todos que nos rodeiam, afinal, muitos ficam procurando em nós o elo perdido daquelas pessoas que um dia fomos, mas agora não somos mais.

E isso não acontece só comigo, ou com ele, ou com outros queridos amigos que vi mudarem.
Acontece com todos nós, de alguma forma.
Admitimos para nós uma nova consciência, sobre diversas coisas, e o mundo finalmente se expande. Quem consegue acompanhar a mudança do outro, caminha lado a lado, mas quem não consegue, por algum motivo fica na estrada, mas isso não quer dizer que não foi importante na caminhada, só quer dizer que não trilha mais o mesmo caminho.

E por ora, encontrei o meu caminho. E encontrei nesse meu ano sabático, não tão sabático assim.
Há quem diga que ter filhos é aprisionador, eu diria que é libertador.
Libertador porque deixamos de lado nossos antigos anseios e pré-conceitos sobre tudo e todos e passamos a enxergar o mundo de uma maneira mais simples, como o quão interessante é um ventilador girar.
Com eles, me vi obrigada a amar mais e julgar menos, a falar menos e fazer mais, muito mais.
E me fez ver o quão triste é incutir nossos próprios conceitos deturpados de vida em pessoas tão pequenas, que apenas reproduzirão uma infinidade de vezes até algo se tornar uma verdade absoluta porque seus pais ensinaram assim.

A meus pequenos que semana que vem completam um ano, gostaria que ganhassem de presente a consciência de sua essência, que nunca a deixassem perdida, e que se por um acaso a perderem, encontrem novamente.
Que saibam que podem trilhar o caminho que desejarem.
E que por onde for, carreguem um sorriso, mesmo que não esteja evidente no rosto, mas um sorriso na alma.

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Amamentar não é divino?

P&A Setembro (140)

Já cantava Gal “tudo é divino, maravilhoso”, mas eu prefiro “é preciso estar atento e forte”.

Eu, Carol, não tive grandes problemas para amamentar os gêmeos, assim que saíram da maternidade, nem mesmo na maternidade. Saí sim, com uma receita de leite artificial para complementar após todas as mamadas, o que eu, munida de conhecimento, nunca fiz, afinal, o que eu não me preparei para um parto, eu me preparei para a amamentação e cuidados com os bebês nos primeiros meses.

Mas eu de fato fui abençoada pelos céus em relação a isso. Graças a faculdade de Fonoaudiologia, eu conhecia as técnicas de pega e estimulação para que ambos tivessem uma sucção efetiva, com isso não tive qualquer problema de manejo como, fissura, rachadura, ganho de peso insatisfatório, nada. Incrivelmente ambos nasceram sabendo mamar.

Só que essa é a realidade de 1% das mães.
Os outros 99%, terão seus bebês expostos a leite artificial nas primeiras 24 horas de vida, pois “o colostro não sustenta”, o “leite não desceu” ou sei lá porque cargas d’água, a criança está sendo testada a cada hora para hipoglicemia, ou simplesmente porque é política do hospital, não fazem alojamento conjunto, em vez de a criança estar com a mãe fazendo seu reconhecimento e a mesma ter seu corpo encharcado por ocitocina, o bebê está lá no berço de vidro aquecido, sendo fotografado/medido/pesado.
Essa maioria esmagadora das mães terá problemas de manejo, terão fissuras, dores, sangramentos, mastites, indicações erradas de medicamento e terapias e muito provavelmente encontrarão profissionais de saúde pouco comprometidos com a amamentação, e ao menor problema teremos o combo leite artificial e desmame abrupto.

Outras mães, não quiseram/querem amamentar, isso é direito delas, nada nessa vida deve ser compulsório, nem mesmo amamentação. E devem ser respeitadas por isso. Ainda existem outras que tem condições físicas que impedem a amamentação. Outras passando por psicose puerperal… Nem tudo só fisiologia, precisamos entender isso.

O que é triste, triste mesmo de se ver é o desencorajamento, dos profissionais da saúde, da família, dos amigos.
Para amamentar no Brasil, onde a média de dias amamentados é de apenas 54, é preciso muito mais que “empoderamento”, é preciso de apoio, suporte, coragem. É preciso estar atento e forte, para não ceder, para tratar qualquer intercorrência no primeiro sintoma, para não tomar uma experiência maravilhosa como pequenas doses de inferno.

Precisamos acolher essas mulheres que não puderam/quiseram amamentar. Nutrir de seu próprio leite não faz ninguém ser melhor ou pior em sua maternagem. Precisamos dar suporte para quem deseja prosseguir amamentando ou voltar a amamentar. Precisamos entender que somos mulheres, caminhando uma ao lado da outra, e que juntas somos mais fortes. Juntas podemos mudar o cenário brasileiro de amamentação, basta nos apoiarmos.

Se você precisa de ajuda, ou quer conversar, me chame, estou aqui para isso.
Se eu não puder te ajudar, vou fazer o máximo possível para encontrar alguém que possa.
=D

E por favor, vamos parar de divinificar as mães que amamentam.
Elas são apenas mães, não deusas.

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Alice sendo amamentada no primeiro dia de vida.

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Pedro e seu incessante reflexo de busca.