Ah, o puerpério…

Eu tive uma gestação chata. Bem chata.
Talvez por ter tido uma gestação interrompida antes e com isso minha estrutura psicológica ter ficado em frangalhos. Talvez por todas as intercorrências, sangramentos, repousos, contrações e ultrasons. Logo, acreditava que quando os bebês nascessem, teria paz de espírito e tudo finalmente ia se encaixar e finalmente desceria uma luz dos céus sobre mim.

Fuem fuem fuem…
Alice e Pedro (94)
Assim como na minha primeira comunhão, onde eu achava que ao tomar a hóstia, viria um feixe de luz e Jesus se apresentaria para mim, eu acreditei que ia bater o olho e amar na primeira hora, minuto, razão, circunstância. Só que não.
Teve a emoção do momento e tal, blá blá blá whiskas sachê… Não é que eu não os amasse quando nasceram, mas é completamente diferente do que sinto hoje.
Ainda tive que lidar com visitas, muitas visitas, na maternidade, em casa… Não me entendam mal, não é que eu não goste de visitas, eu gosto muito da minha casa cheia, dos amigos, família, comida boa e risada. Mas naquele momento eu simplesmente tinha raiva cada vez que meu interfone tocava – ou nem tocava, vinha tanta gente que nem tocar aqui pra cima o porteiro tocava mais.
Com as visitas eu experimentei um sentimento sombrio o qual eu nunca tinha experimentado antes… O ciúme. Pois é, eu fiquei extremamente enciumada das quianças, afinal, eles tinham acabado de sair de dentro de mim e passavam a maior parte do tempo nos braços de outras pessoas e não nos meus, salvo em momentos que eles estavam mamando. Era um tal de querer ver cor do olho, dar beijinho quando a criança tinha acabado de pegar no sono, pegar um pouquinho cada um no colo… Isso me estressava, me tirava do sério.
E os conselhos… ah… esse é um assunto tão discutido que eu prefiro nem entrar no mérito e só fazer cara de alface, porque né, mãe de primeira viagem ninguém dá credibilidade, principalmente quando a pessoa resolve amamentar exclusivo. Acho que eu ouvi de 99,9% das pessoas um “mas você dá só peito?!” num tom de descrença inacreditável.

E sabe o que é tenso isso tudo?!
Tu tá ali, recém mãe, com um (ou dois) pacotinho de dois-quilos-e-meio, que só chora, caga e mama, tentando se entender com ele(s) e você e ainda em que lidar com as expectativas dos outros.
Como se fosse muito fácil, acordar num dia, sem bebê na barriga, os dois do seu lado, um inchaço que parece que não vai embora, um sangramento infinito, um corte na barriga, dois bebês que mamavam por QUARENTA minutos cada um e ainda ter que tomar banho, pentear cabelo, escovar os dentes, tirar o pijama, só para receber visita.
Gente, não dá.
É desumano.

Mas que fique claro que essa é minha opinião e minha vivência particular.
Conheço pessoas que adoram visitas e ficariam extremamente sentidas se não tivesse ido visitá-las.

À todas as pessoas que me visitaram e demonstraram o seu carinho por mim e pelos pequenos, meu muito obrigada, vocês são pessoas extremamente importantes para mim, e minhas sinceras desculpas se por um acaso recebi alguém de mau humor e cara feia. O meu puerpério foi um período tenso de adequação da minha nova vida, e não sei esconder sentimentos tão explícitos. Eu amo todos vocês.

À todas as pessoas que resolvem fazer aquela visita de etiqueta ao recém nascido, use seu bom senso. Mande mensagem, ligue e se realmente a puérpera se sentir confortável, vá visita-la. Ninguém TEM QUE ir conhecer o bebê, isso é convenção da sociedade.
Se a visita acontecer, não espere um lanche, uma mesa pronta, uma casa limpa, às vezes aquela mulher (não foi o meu caso), não tem ninguém pra ajudar, ofereça-se pra fazer algum serviço doméstico e ela poder descansar, porque cuidar de um recém-nascido que mama o dia todo, é exaustivo.

À todas as minhas amigas, primas, etc, com as quais cometi alguma indelicadeza no puerpério. Desculpe, eu não sabia como era. 

Por último, mas não menos importante.
O contato pele a pele mãe-bebê é fundamental para reconhecimento, não somente no pós parto imediato, mas sempre que puder, é calor, é vínculo, é amor. Impossível fazer isso com roupas, portanto, privacidade é uma palavra chave nesse período.

P&A Setembro (143)

Esse post é uma iniciativa do Blog A Cientista que virou mãe. Clicando no nome em azul, você pode ler as instruções de como fazer um vídeo e apoiar outras mulheres em seus pós partos.

E uma explicação bem explicadinha porque eu não visito mais ninguém na maternidade (e no pós parto).
Por que não vou te visitar na maternidade.

Fotos: Fabiana Drummond

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