Por um mundo com menos grama sintética

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No início do ano visitamos algumas creches, pois mês que vem volto à faculdade, com isso as crianças ficarão em uma creche durante 4 horas diárias.
Quase todas as creches que visitei, e outras que fiquei sabendo depois, por conhecidos, falta um pedacinho de chão.
Falta aquela caixa de areia, falta uma horta, falta um pedacinho de chão de terra batida pras crianças ralarem o joelho, caírem de cara no chão e invariavelmente comer terra, de preferência com uns brinquedos externos de madeira, daqueles tipo casa com escorrega, sabe?!

(Pausa pra nostalgia da infância)

Mas o que encontrei em quase todas foi um gramadão sintético, nem pra ser natural era, era aquele tipo folha de encaixe, sem vida, sabe? Sem uma terrinha para brincar. EM vez de brinquedos de madeira, uns escorregadores esquisitões, com suas cores de plástico fluorescentes, uns “upa-upa do Gugu”, uns brinquedos muito estranhos, com cara de que não são nada divertidos.
Enfim, já me via num mato sem cachorro, um beco sem saída, mais perdida do que cego em tiroteio ou qualquer coisa que o valha.

Veja só, eu sou criança de subúrbio. Criança que morou a vida inteira em casa.
Criança que conviveu a vida inteira com plantas, inclusive tinha uma amendoeira imensa plantada no meu quintal.
Passei minha infância brincando na rua, caindo, levantando e consequentemente me ralando… Algumas cicatrizes se foram, outras permanecem, tal como o dia do pique em volta da mangueira da casa de um vizinho, que caí e tive um corte fundo no joelho.
Via meus “tios” e “tias” chegarem do trabalho todos os dias, com minha cadeira verde sentada na calçada, enquanto tomava um sacolé de uva.
Cresci com crianças da mesma idade, fortaleci vínculos, desses pra vida toda.

E tive filhos.
E sempre desejei que meus filhos não fossem filhos de apartamento-computador-video-game, não que eu não tenha usado computador e video-game, mas eu tinha outras oportunidades de diversão, e de estimular minha imaginação.
Vejo as crianças de hoje sem nenhum contato com qualquer tipo de natureza, sem poder se movimentar, se sujar, desmanchar o cabelo.
Como imaginar uma infância sem pique pega, pique alto, pique bandeira, amarelinha? É o que vejo hoje.
E definitivamente não desejo isso para os meus.

Mas moro em apartamento, e como fazer? Pracinha.
Aqui perto de casa tem uma pracinha com todos os componentes básicos: brinquedos de pracinha, areia com toxoplasmose, árvore e muitas crianças.
Isso além das idas ao subúrbio, onde meus filhos ficam pretos dos pés à cabeça, engatinhando e explorando o quintal da vovó.
Quiçá em um futuro, passarão suas adolescências programando os finais de semana na Ilha Grande na casa da Bisa.
Ou irão pra casa dos primos em Petrópolis.
Assim, seguiremos, brincando, se sujando, com terra, natureza e alegria.

Quanto à creche?! Encontramos uma com horta, chão de terra, caixa de areia e brinquedos que fariam qualquer mãe ficar com o coração na mão.

E torço para que mais crianças, conheçam o prazer de um pedaço de terra, pra brincar, pra se ralar, pra pegar bicho geográfico, pra comer, pra se deleitar e voltar pra casa com terra no cabelo… E já dizia a propaganda do sabão em pó, se sujar faz bem.
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