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Diversidade fraternal

Uma barriga.
Dois bebês.
Um menino e uma menina.
Ele com cabelos lisos e olhos de jabuticaba.
Ela com cabelos encaracolados e olhos puxados quando sorri.
Ele com um potencial enorme a ser canhoto.
Ela com habilidade maior no lado direito.
Ele prefere comidas salgadas, se for macarrão então.
Ela prefere frutas, de preferência banana.
Ele fez pinça primeiro.
Já ela, resolveu engatinhar primeiro.
Ele gosta de brincar com objetos que fazem barulho.
Ela tem uma predileção assustadora por papel.
Ele gosta de dormir só, no seu quarto – pois é, só acorda pra mamar, e dorme MUITO mal na nossa cama.
Ela gosta de dormir agarradinha, do nível de segurar nosso braço quando a abraçamos.
Ele não é tão chegado à terra, prefere as folhas.
Ela prefere comer terra.
Ele por muito tempo só quis o peito esquerdo.
E ela só mamava o direito, se por um acaso o irmão mamasse no direito, ela chorava copiosamente.
Ele passa horas brincando com o cachorro.
Ela passa horas tentando brincar de índio com a parede.

Tantas diferenças para dois bebês que saíram do mesmo útero em um intervalo de 2 minutos.
Tantas diferenças para aqueles que tem os mesmos pais, moram na mesma casa, dividem o mesmo quarto e os mesmos brinquedos.
Tão diferentes fisicamente e com personalidades tão distintas.

Se vemos tanta diversidade dentro de casa, com gêmeos que não apresentam sequer mesmo peso e altura, por que não conseguimos simplesmente aceitar e conviver com a diversidade que vemos fora dela?
O mundo é rico de cores, formas, culturas… Por que não usufruir de tudo isso?

Que aceitemos cada dia mais, que não existem iguais no mundo, e possamos considerar isso bonito. Afinal, é uma dádiva diária poder estar em constante aprendizado com tantas coisas e pessoas.
E que eles possam entender, e eu também, que há amor em tudo, inclusive no que é diferente.

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Por um acaso do destino estavam especificamente de rosa e azul na foto.

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Por um mundo com menos grama sintética

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No início do ano visitamos algumas creches, pois mês que vem volto à faculdade, com isso as crianças ficarão em uma creche durante 4 horas diárias.
Quase todas as creches que visitei, e outras que fiquei sabendo depois, por conhecidos, falta um pedacinho de chão.
Falta aquela caixa de areia, falta uma horta, falta um pedacinho de chão de terra batida pras crianças ralarem o joelho, caírem de cara no chão e invariavelmente comer terra, de preferência com uns brinquedos externos de madeira, daqueles tipo casa com escorrega, sabe?!

(Pausa pra nostalgia da infância)

Mas o que encontrei em quase todas foi um gramadão sintético, nem pra ser natural era, era aquele tipo folha de encaixe, sem vida, sabe? Sem uma terrinha para brincar. EM vez de brinquedos de madeira, uns escorregadores esquisitões, com suas cores de plástico fluorescentes, uns “upa-upa do Gugu”, uns brinquedos muito estranhos, com cara de que não são nada divertidos.
Enfim, já me via num mato sem cachorro, um beco sem saída, mais perdida do que cego em tiroteio ou qualquer coisa que o valha.

Veja só, eu sou criança de subúrbio. Criança que morou a vida inteira em casa.
Criança que conviveu a vida inteira com plantas, inclusive tinha uma amendoeira imensa plantada no meu quintal.
Passei minha infância brincando na rua, caindo, levantando e consequentemente me ralando… Algumas cicatrizes se foram, outras permanecem, tal como o dia do pique em volta da mangueira da casa de um vizinho, que caí e tive um corte fundo no joelho.
Via meus “tios” e “tias” chegarem do trabalho todos os dias, com minha cadeira verde sentada na calçada, enquanto tomava um sacolé de uva.
Cresci com crianças da mesma idade, fortaleci vínculos, desses pra vida toda.

E tive filhos.
E sempre desejei que meus filhos não fossem filhos de apartamento-computador-video-game, não que eu não tenha usado computador e video-game, mas eu tinha outras oportunidades de diversão, e de estimular minha imaginação.
Vejo as crianças de hoje sem nenhum contato com qualquer tipo de natureza, sem poder se movimentar, se sujar, desmanchar o cabelo.
Como imaginar uma infância sem pique pega, pique alto, pique bandeira, amarelinha? É o que vejo hoje.
E definitivamente não desejo isso para os meus.

Mas moro em apartamento, e como fazer? Pracinha.
Aqui perto de casa tem uma pracinha com todos os componentes básicos: brinquedos de pracinha, areia com toxoplasmose, árvore e muitas crianças.
Isso além das idas ao subúrbio, onde meus filhos ficam pretos dos pés à cabeça, engatinhando e explorando o quintal da vovó.
Quiçá em um futuro, passarão suas adolescências programando os finais de semana na Ilha Grande na casa da Bisa.
Ou irão pra casa dos primos em Petrópolis.
Assim, seguiremos, brincando, se sujando, com terra, natureza e alegria.

Quanto à creche?! Encontramos uma com horta, chão de terra, caixa de areia e brinquedos que fariam qualquer mãe ficar com o coração na mão.

E torço para que mais crianças, conheçam o prazer de um pedaço de terra, pra brincar, pra se ralar, pra pegar bicho geográfico, pra comer, pra se deleitar e voltar pra casa com terra no cabelo… E já dizia a propaganda do sabão em pó, se sujar faz bem.
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Como alimentar meus filhos está mudando minha alimentação

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Foto por mim mesma em Veneza enquanto me empanturrava de pizza.

Eu confesso, confessadinho que sou viciada em comer.
Parte disso vem do fato de eu ser de uma família de italianos, daqueles bem italianos mesmo, com muita, muita massa… Massa de todos os tipos, macarrão, lasanha, focaccia e a pizza, e tudo em grandes, ENORMES quantidades.

Se tem uma coisa que italiano não consegue ser é comedido, com tom de voz, com gestos de carinho, com brigas e principalmente com comida. Portanto, todas as reuniões de família sempre foram regadas a muita comilança, e foi aí que eu aprendi a gostar de comer, e comer muito.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Tive uma alimentação razoavelmente regrada durante os anos em que nadei, mas em contrapartida, como tinha um gasto calórico muito grande, eu sempre comi muito. Mas pelo menos era comida saudável – obrigada mãe.
E minha mãe coitada, sofreu uns bocados pra colocar a minha alimentação como saudável quando eu era criança, afinal, eu morava do lado da minha avó, e a tentação de comer arroz, ovo de gema mole e batata frita todos os dias era enorme.

tumblr_m26r5ycJpT1ro0zido1_500Mas preciso confessar mais confessadinho ainda que sou viciada em junkie food, e definitivamente eu não gostaria que meus filhos possuíssem o mesmo vício, afinal, já teve um mês na minha vida que gastei praticamente todo o meu salário na lanchonete do palhaço, e isso é sério… Mas mais uma vez, minha santa mãe me salvou e confiscou meu salário nos meses seguintes pra eu não cometer mais essa atrocidade.

E tive filhos.
E meus filhos começaram a comer.
E eu me vi obrigada a preparar uma alimentação saudável para eles.
Primeiro por medo. Medo de doenças principalmente, afinal, tenho casos de hipertensão, colesterol alto, obesidade na minha família.
E segundo para não viciar o paladar deles em junkie, porque não tem nada mais desagradável do que uma criança que não come nada de saudável.

Com isso eu e minha mãe, “a santa”, começamos a empreitada de preparar alimentos saudáveis para meus pequenos macaquinhos.
Tudo fresco, sem sal, mas bem temperado e com muito sabor.
Vide a foto abaixo:

Filé de pescadinha, pirão de abóbora e arroz com brócolis.

Filé de pescadinha, pirão de abóbora e arroz com brócolis.

Eis que nesse meio tempo a minha consciência alimentar de alguma forma melhorou. Fiquei “comendo com os olhos” cada comidinha que preparávamos para eles, e passei a comer com a boca também.
Para completar, marido resolveu voltar a ser vegetariano (tinha deixado de ser quando as crianças nasceram, pela praticidade, afinal, não era sempre que estávamos com vontade de fazer uma comida “diferente”). Com tudo isso, resolvi testar receitas novas, adivinhe, com ingredientes frescos e saudáveis, e em sua grande maioria, livre de qualquer tipo de carne, pois é, reduzimos drasticamente o consumo de carne aqui em casa. E estamos mais leves, mais saudáveis, mais dispostos (exceto em dias insones).

E com a proximidade da ida das crias para a creche, me pego pensando em milhares de opções nutritivas para mandar na lancheirinha (até porque ficarão somente 4 horas), e em como isso pode repercutir em sua vida futura, e como isso será bom para eles.

Para quem acha que criança tem que ser criança e tem que comer todas as porcarias do mundo, calma lá, um dia eles serão adolescentes e farão isso por si mesmos, eu não preciso ser a pessoa a incentivar maus hábitos alimentares nos meus pequenos, balas, doces, frituras, todas as tranqueiras industrializadas sempre existirão e estarão à mão deles quando eles quiserem, eu só me recuso a ser a pessoa a fazer disso um hábito para eles.

E sim, eu sinto falta de comer bacon todos os dias (porque eu comia).
Mas estou melhor sem ele.
E definitivamente, as crianças crescerão melhor sem ele.

Agora somos #seloBelaGil de alimentação saudável.
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