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Vida Selvagem

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Não se deixem enganar pela carinha bonitinha redondinha de um bebê.
Com aquelas bochechas rosadinhas.
Com aqueles dois incisivos inferiores.
Com esses olhos de pedinte.

Dentro daquele corpinho cheio de dobrinhas parecendo um origami, vive um animal selvagem.
Aqui em casa vivem dois animaizinhos, que podem assumir diversas personalidades animais de acordo com a ocasião:

Castores: Com seus dentes incisivos, roem tudo o que encontram pela frente. No atual momento, até os móveis.
Cobras: São seres rastejantes, que se movimentam de uma maneira bem característica.
Tartarugas: Quelônio que quando colocado com seu casco para baixo não consegue se desvirar (Já passamos dessa fase, grazadeus).
Macacos: Penduram-se em você (e nas coisas), o dia todo, descobrindo como usar ferramentas (especialmente um contra o outro ou contra você.
Javalis: Comendo absolutamente qualquer coisa que você ofereça.
Urso depressivo: negando absolutamente qualquer coisa comestível que você ofereça.
Cacatuas: Famosas por seus topetes revoltos e pela gritaria estrondosa (o tempo todo)
Hienas: Onde suas gargalhadas, na verdade são um sinal de ataque.
Jaguatirica: reativo ao primeiro toque, fica acuada, grunhindo, tentando morder.
Leopardo: Quando você menos espera, está ali atrás de você pra dar o bote.

E por último, mas não menos importante.

Corujas: Pra te lembrar que a noite é uma criança e dormir é para os fracos.
200
Ainda bem que quando eu estava na minha primeira faculdade, eu cismei que precisava trabalhar com selvagens e inclusive fiz estágios em zoológicos.
Na verdade eu estava me preparando para a vida.
E sinceramente, vida selvagem é criar esses dois.
hihihihihihi

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

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Sobre mães imperfeitas…

Existe um texto muito difundido no mundo azul, sobre “As mães perfeitas do Facebook”.
E esse texto me incomoda MUITO.
Sabe por que? Porque ele atinge as minhas escolhas.

Eu, Carol, escolhi criar om apego, escolhi amamentar exclusivamente meus filhos até o 6º mês, escolhi (por ‘n’ razões) me dedicar temporariamente aos meus filhos, alimentar eles de forma saudável…
Para a grande e esmagadora maioria isso é FRESCURA. Para mim isso é proporcionar uma vida saudável a médio, curto e longo prazo.

Sim, eu li “A encantadora de bebês”, “Crianças francesas não fazem manha”. Mas a maternagem a qual eu estava acostumada a acompanhar, proporcionava somente esse tipo de coisa… deixar chorar, acalmar com chupeta, adestrar bebês… Ainda bem que ainda grávida eu conheci mães e pais que me mostraram que dava para fazer diferente, que o mundo pode ser diferente.

Mas sim, eu passei por uma cesariana, e nunca me perguntaram os motivos dela.
Sim, eu deixo de ir ao salão, fazer as unhas e as sobrancelhas, mas isso, nem antes da maternidade me incomodou.
Sim, eu me desespero, todos os dias, quando ambos os bebês choram juntos.
Eu, passado o puerpério, já voltei a me encher de refrigerantes, chocolates e coisas nada saudáveis, porque meus filhos pura e simplesmente não apresentam qualquer tipo de intolerância ou alergia alimentar. Caso eles apresentassem APLV, por exemplo, eu entraria em dieta restritiva sim, por eles, não por mim.
Ainda sonho todos os dias com o dia em que crianças não vão acordar, o cachorro o vizinho não vai latir, o ônibus nao vai passar na minha rua, a babá eletrônica não vai apitar, meu peito nao vai vazar e eu vou acordar às 10 horas da manhã, sozinha, descansada, com o cabelo lindo e sem olheiras.
Ainda detesto trocar cocô de mamão.
Desde que os bebês nasceram, não peguei um cinema, ou saí para jantar com o marido por motivos de: eles mamam. Sinto falta, sinto. Sinto falta de tomar uma cerveja com álcool, de ter pelo menos uma conversa que não seja relacionada a filhos.

Mas minhas escolhas ainda não me permitiram isso. Por enquanto.
Porque entendo que ser dependente agora, os fará mais independentes no futuro.
Ainda me incomoda ver essa falsa cumplicidade feminina orientando erroneamente, receitado remédios sem orientação médica, defendendo palmadas educativas. Isso me entristece, demais.
E sobre fortalecer a cupa materna… já dizia Laura Gutman, “nasce uma mãe, nasce uma culpa.”
A pergunta é… por que certas mães se sentem culpadas quando demonstramos um fato?
A resposta não está nas mães perfeitas, está na própria mãe que imprimiu a culpa em si mesma.
Por que tal coisa afeta tanto?

Nós humanos somos espelhos de comportamento.
Só posso me comportar com algo que já vi alguém demonstrar anteriormente.
Mas estamos presos aos espelhos antigos da nossa sociedade, não estamos dispostos a olhar os novos espelhos.
Preferimos achar que escolhas que prezem os filhos em primeiro lugar, é pura e simplesmente frescura e eles que tem que se adaptar à nós e nunca nós a eles.

Eu sempre digo e repito: ter filhos é uma opção, é abdicar de uma dezena, senão centenas, de coisas.
Devemos ser responsáveis por eles, para que cresçam com corpo e mente sãos.

Todo mundo, repito, todo mundo vai ter um momento que vai estar cansada, exausta, histérica.
Nessas horas, nada como recorrer às avós, à babá, à creche, ao pai que seja, e vai dormir, comer uma refeição sem alguém gritar querendo colo, ou vai lá chorar no cantinho, para depois continuar a maternar consciente. Todo mundo merece um botão de pause. O que não pode é descontar toda essa energia nas crias.

Não existe mãe perfeita, talvez somente a Norma Bates, o que não é o meu caso, nem o de ninguém que eu conheça.
Mas procuro ser o melhor que eu posso para os meus filhos. E sou segura de minhas escolhas, gostaria que cada mãe que estivesse em dúvida sobre as suas fosse orientada de forma a encontrar o melhor caminho para ela e seu filho, que esse caminho fosse cheio de abraços, e “eu entendo, mas vamos tentar fazer diferente?”.
Mas ao mesmo tempo que vem um acolhimento, vem uma pedra na nossa direção, nos acusando de radicais, de frescas, de “mães perfeitas”.
E eu posso afirmar com todas as letras que sou imperfeita, mas vou me desconstruindo e reconstruindo, dia após dia, e isso tem feito de mim uma pessoa melhor para meus filhos, mesmo que o resto do mundo não enxergue assim.

Se esse texto te pareceu confuso, não liga não, mãe é confusa e eu estou com preguiça de revisar e editar.
Para elucidar mais ou menos os caminhos que me guiam, segue algumas opções de leitura bem mais coerentes que a mim:
Paizinho, virgula!
Cientista que virou mãe
As delícias do Dudu

E vamos tentar fazer diferente?! 😉

Ainda