Vergonhinha

  Quando a gente nunca ficou gravida na vida, todo mundo mente pra gente, falando que a gravidez é a melhor parte da maternidade. Mas é tudo mentira amiguinhas… Isso é só pra você não encarar a realidade do quanto a gravidez é um método anticoncepcional posterior bem efetivo. E sabe por quê? Porque quando a gente tá grávida, a gente vive fazendo vergonhinha por aí…

bertz

Vergonhinha, só pra ser legal, porque pelo menos eu aqui, prenha, gigante, do tamanho da Shamu que estou, só fiz vergonhonas desde que descobri que estava grávida. Não que eu fosse a pessoa mais normal do mundo antes disso, muito pelo contrario, mas depois que engravidei, mermão, eu tenho me superado a cada dia que passa… Tudo começou quando a bonitona aqui, voltando da viagem de ano novo, simplesmente não aguentou a volta pra casa, e precisou parar em um posto de gasolina no meio da Avenida Brasil pra fazer xixi. Tá achando normal, tranquilo, beleza?! Pois é, não é não, a Avenida Brasil é um os lugares mais bizarros pra você parar pra fazer esse tipo de coisa. E como eu nem sabia que tava grávida, fiquei com medo, sei lá… de morrer. HAHAHAHAHAHAHAHA

Depois, durante todo o primeiro trimestre, eu fiz cosplay da Linda Blair no Exorcista, poderia até ter mudado meu nome pra Regan, de tanto que eu vomitava. Parecia que eu tava atravessando o oceano Atlântico numa canoa de tão mareada que fiquei. Quando a gente lê nos blogs por aí, ou naquele site bonitão falando dos sintomas da gravidez, a gente lê náuseas, hiperemise gravidica e um monte de nomes esquisitos. Mas a verdade é que você vomita e vomita muito. Vomita tanto que sai pelo nariz e fica ardendo por uma semana e aquele cheiro de azedo parece que nunca mais vai desimpregnar das suas narinas, e de preferência isso acontece quando você ainda não terminou de almoçar, e pra completar, ainda está em um restaurante, e pra coroar com um carimbo de Muito Bom (que a saudosa Tia Jaciara carimbava meus cadernos quando eu escrevia meu nome na linha pontilhada), a pessoa fez isso tudo e não conseguiu chegar no banheiro, já imaginou a cara de alegria dos funcionários do restaurante?! Então imagine!

Aí vem o segundo trimestre, olha que maravilha, olha que beleza, olha que barriga aparecendo. E quando de repente vem uma nuvem de lágrimas sobre os meus olhos… E qual o motivo pro pranto rolar? Isso aí, varia… pode ser da unha do pé encravada, passando por aquele fiapo de cabelo que insiste em nascer no seu queixo, até motivo nenhum, mas o fato é que grávida chora, mas chora por tudo, até vendo comercial de pomada de bunda de bebê na televisão. E o choro não escolhe hora nem lugar não… Pode ser na fila do pão, comprando o jornal, mas no meu caso foi num laboratórios pra fazer exame mesmo!

E quando a gente menos espera, o terceiro trimestre tá batendo à porta, e eu como boa grávida de gêmeos que sou, já fico como?! DESESPERADA. E mesmo sem nada pronto, qualquer motivo já é motivo de caos e a gente corre pra emergência, sem mala, nem nada (porque sou dessas, procrastinadoras que deixa tudo pra última hora). E numa dessas eu achei que minha bolsa tinha rompido, juro! Aí você me pergunta, mas se não saiu taaaaanto líquido assim, como você não imaginou que fosse outra coisa? Ah sei lá né gente, nunca pari antes, minha bolsa nunca estourou, e eu faço xixi de meia em meia hora, vai que tava saindo e eu não tinha percebido antes?! E lá fui eu pra maternidade, examinada pela 25ª vez desde que fiquei grávida por um plantonista diferente (quedê a vergonha?!) e não era nada, só secreção das cataratas do niágara ou eu tinha feito xixi sem perceber mesmo. Xixi aliás, é um caso à parte, com uma criança encaixadinha e outra meio que por cima, amiga, tá brabo. Cada espirro, tossida, risada é uma escapadinha. Já disse que eu deveria andar com um tapetinho daqueles de cachorro embaixo de mim, só pra me dar menos trabalho. E fora que aqui, já entrando no sétimo mês, já perdi o contato visual com a minha querida genitália, responsável por essa prenhez. É lindo, é maravilhoso, é constrangedor ter que colocar um espelho na frente pra conseguir dar uma capinada, porque cera quente não dá não e ir fazer ultrasom parecendo que saí de um filme brasileiro dos anos 70 também não dá. Pelamordedeus.

200

E a prenhez é isso, é perder completamente a vergonha na cara pra todas essas nojentices, na verdade eu acho que é um treinamento pras nojentices dos filhos que virão em breve e a gente vai ligar pro pediatra pra falar sobre o aspecto do cocô (não que eu não ligue pro meu GO pra falar sobre o aspecto do meu…), tirar meleca do nariz com um aparelho que parece da NASA, viver com cheiro de leite azedo e esquecer de tirar remela do olho de tão cansada.  Eu podia ter dito que isso tudo aí em cima aconteceu com a amiga-de-uma-amiga-de-uma-prima minha, mas como eu já perdi o pouco de vergonha na cara que eu tinha, assumo que foi baseados em fatos reais que aconteceram com a minha pessoa, porque não dá pra acreditar que a vida é uma novela do Manoel Carlos.

tumblr_ln47b9qbZV1qii6tmo1_250

Anúncios

Um comentário sobre “Vergonhinha

  1. Carol, querida, nunca tive uma gestação gemelar, mas eu diria que cada gravidez dos meus dois meninos foi super tranquila… Não tive um só enjôo, dormia muito bem, tinha um baita pique, apesar de estar na época com 34 e 38 anos e ainda a libido, estava super em alta… Eu era praticamente uma barriguda tarada!!! Graças a Deus, foi uma fase ótima para mim!
    Já depois dos nascimentos, sem nenhuma ajuda sequer, porque avós e madrinhas participativas fazem muita falta, o primeiro mês mais paraeceu um filme de horror… Eita fase difícil! Daí, você repara que é realmente a partir disso que sua vida mudou de verdade. Cheguei a desejar diversas vezes que eles voltassem para a minha barriga… Rsrsrsrsrsrs… Cocô líquido e escuro de meia em meia hora, mamada de duas em duas horas, o bico do seio sangrando e mesmo assim a criança mamando… Quase desmaiei de dor! Choros indecifráveis, vômitos e mais vômitos por causa do refluxo, que os dois tiveram, com horas intermináveis de colo em função disso… Banho, só depois que o marido chegava, apesar do forte cheiro de azedo que exalava do corpo em pleno verão… Dormir? É o luxo dos luxos! Eles é que ditam o momento do nosso ínfimo descanso!
    Mas, apesar de tudo, Deus é tão bom, que depois de um tempo arquiva tudo isso em nossa mente e eles vão crescendo… Tiramos energias nem sei de onde…
    Vida própria? Difícil ter até hoje, mesmo quando eles já estão com 12 e 9 anos… Será que um dia vão crescer para uma mãe? Essa resposta eu não tenho por enquanto…
    Não sei se um dia conseguirei cortar o cordão umbilical imaginário que ainda existe, mas o que vale muito, é a certeza de ter ao meu lado duas pessoinhas que despertam em mim o mais puro e sublime sentimento que já experimentei ao longo desses meus 47 anos de vida… O amor incondicional de mãe, que me faz sentir a pessoa mais feliz do mundo!!!
    Felicidades para você, Edu, Pedro e Alice!!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s