E a palmada, rola?

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A lei da palmada, ou Lei Menino Bernardo, como foi renomeada, já gera discórdia há algum tempo quando ela apareceu como projeto de lei e essa semana depois de uma declaração do Sr. Jair Bolsonaro dizendo o quanto essa Lei era absurda, tomou uma proporção bem grande nas redes sociais.

Em primeiro lugar, qualquer comentário que venha desse Sr. eu já excluo da minha vida e da minha mente, porque me desculpem, mas eu não consigo levar à sério uma pessoa que enalteça a ditadura militar e o golpe de 64. Não dá, não me desce, se desce pra vocês, não tenho nada com isso. Mas não me obriguem a suportar esse tipo de pessoa que tem um discurso inflamado de ódio ante a tudo que seja contra os pensamentos dele.

Agora vamos lá… eu pelo menos me dei o trabalho de ir procurar sobre a Lei Menino Bernardo em vez de cair no auê do facebook… e a Lei diz o seguinte:

“ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento físico ou lesão à criança ou ao adolescente”. O tratamento cruel ou degradante é definido como “conduta ou forma cruel de tratamento que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize a criança ou o adolescente”

Quando a gente dá aquela palmadinha na criança que já nos tirou do limite da sanidade mental, ninguém pensa que essa ação punitiva é cruel e degradante, certo? Pois é, mas é.
Castigos humilhantes como vimos outro dia nos jornais, do pai que deixou a criança nua do lado de fora de casa porque fez xixi na cama.
Brigar e humilhar seu filho porque ele bateu no coleguinha da escola, quando na verdade, na maioria das vezes ele reproduz o comportamento que é visto dentro de casa.
São aqueles milhares de casos de “caí da escada”, “escorreguei no chão molhado” que educadores veem TODOS os dias nas escolas.
Bater e humilhar está tão arraigado na mente das pessoas, que a grande maioria delas acha que é a forma mais correta de educar. E pra quem olha de fora parece tão surreal né, mas de vez em quando a gente esquece e acaba fazendo isso tudo dentro de casa.

A polêmica que foi gerada tanto no Senado, quanto nas redes sociais, foi sobre com essa medida punitiva para os pais, se as crianças não cresceriam como pequenos “reizinhos mandões”, aí meu amigo, se você deixa teu filho fazer o que quiser desde pequeno, enche a criança de brinquedos, como é que você quer impor um bocadinho de limites com agressão? Não dá, é incoerente. 

Quantos adultos não dizem pra você: “Ah, mas eu apanhei e aprendi…” Aí eu pergunto, aprendeu o que cara pálida? Aprendeu que não poderia cometer tal atitude porque ela era prejudicial a você ou para outros, ou aprendeu porque sabia que ia apanhar se fizesse aquilo? Fica tão mais fácil assim explicadinho né? Os pais que castigam com agressões, físicas ou verbais, querendo ou não, conscientes ou não, criam crianças com pequenos traumas, que serão adultos que possivelmente repetirão essas mesmas atitudes com seus próprios filhos…

E nessas horas, eu sempre penso, minha mãe nunca me bateu, nem nunca me humilhou, nem nunca me aplicou um castigo severo. As coisas lá em casa sempre foram na base da conversa, do entendimento, da compreensão… Óbvio que de vez em quando rolava um grito ou outro (ou muitos, quando a merda era grande), mas nada demais. E eu não cresci sendo uma louca transtornada por causa disso. E agradeço diariamente por minha mãe ter me criado assim, com limites, mas sem agressão e espero muito poder reproduzir isso com meus filhos.

E vale deixar claro que a Lei não prende os pais agressores não: “os pais ou responsáveis que usarem castigo físico ou tratamento cruel e degradante contra criança ou adolescente ficam sujeitos a advertência, encaminhamento para tratamento psicológico e cursos de orientação, independentemente de outras sanções. As medidas serão aplicadas pelo conselho tutelar da região onde reside a criança. Além disso, o profissional de saúde, de educação ou assistência social que não notificar o conselho sobre casos suspeitos ou confirmados de castigos físicos poderá pagar multa de três a 20 salários mínimos, valor que é dobrado na reincidência.”

Então, vamos parar com esse mimimi todo, porque todo mundo sabe que palmada não educa, só machuca. E sim, te magoou quando você era criança, só que você já está velho e esqueceu como você se sentiu naquele momento. E vamos ser bem realistas, se o bom senso nos impede de dar uns bons tabefes em uns adultos no meio da rua, por que vamos fazer isso com os nossos filhos?

A matéria sobre a lei está aqui. Leia, entenda, procure, veja declarações de psicólogos sobre o assunto antes de cair no meio da confusão, não seja mais um com um discurso como o do Bolsonaro.

 

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