“Ser mãe”

Acho que o maior medo da minha vida sempre foi “ser mãe”. 
Eu sempre vi essa expressão como um fardo a ser carregado (não deixa de ser), medo de perder minha vida, minha liberdade, minhas noite de não-sono e meus dias de preguiça, perder a intimidade com o marido, perder os cabelos, perder o controle… 
Não que eu tenha muito controle… não tenho controle sobre quase nada. 
Mas o risco das incertezas sempre me deixou um pouco desnorteada, porque, vamos concordar, que ter um filho é se cercar de incertezas de todas as espécies na vida, incerteza da gestação saudável, do nascimento saudável, do parto, da vinda para casa, de tomar conta e principalmente de “dar conta”. 

E desde que eu me descobri grávida de gêmeos minha mente se povoou de outras incertezas…

E se a gravidez não for pra frente de novo?
E se um dos dois ficar pelo caminho?
E se eu tiver um problema grave?
E se eu engordar demais?
E se eu engordar de menos?
E se a translucência nucal der alguma coisa?
E se eu tiver um parto normal?
E se eu tiver uma cesariana?
E se eles nascerem prematuros?
E se eles forem pra UTI?
E se eu não tiver leite?…

E assim, eu, como qualquer outra grávida, vai criando um monte de caraminholas na cabeça, ficando cada dia mais maluca em relação às crianças. Claro que muito disso é fruto de minha total inutilidade, visto que estou de licença (do pique-alto) do trabalho, e ninguém deixa eu fazer nada, ou seja, tô bem inútil mesmo, aí fico divagando com a minha mente em momentos apropriados e inapropriados.

Muitas das minhas incertezas já foram por água abaixo. Eu ando perfeitamente saudável, com a barriga crescendo, engordando mais do que meu médico gostaria, devo confessar, mas quem, nesse planeta terra vai me recriminar por sentir fome?! Meudeusdocéu, sinto mais fome do que a seleção inglesa de rugbi saída de um jogo. Minha pressão arterial tá sensacional, minha glicose também. Ando meio anêmica, mas também né… tem dois comendo da minha comida aqui além de mim, e vamos combinar que não sou das maiores fãs de feijão ou fígado (erck), além do fato de ter um marido vegetariano, e às vezes (sempre) eu ter preguiça de fazer comida pra mim, e acabo não comendo nenhuma proteína animal mesmo não… Mas nada que um suplementinho de ferro não resolva. Os bebês também estão saudáveis, crescendo e se mexendo bastante, e me incomodando bastante. 

E assim, aos poucos vou colocando à prova minhas preocupações  e vendo que não era nada daquele bicho de sete cabeças que eu acreditava ser. E foi aí que me dei conta que “ser mãe” é muito mais do que ter um (ou dois, ou três, ou vários) fardos para carregar para o resto da vida. É muito mais que isso. “Ser mãe” é ficar maluca, paranóica, esquisita, com amor e uma porção de sentimentos por umas coisinhas que ainda nem nasceram. É compreender que a sua vida vai virar de ponta-a-cabeça, mas que chega uma hora que você não tá nem aí, afinal, se não dá pra andar com os pés no chão, que andemos como morcegos. “Ser mãe” é ter controle, mas constantemente perder o controle, sobre os filhos, sobre as coisas, sobre si mesma. 

E com isso eu entendo mais minha mãe, que um dia entendeu mais minha vó, e assim sucessivamente…

E eu continuo aqui, com 25 semanas, dois lêmures saltitantes na pança e um monte de caraminholas na cabeça.

Porque ser mãe é isso, aprender a conviver com suas caraminholas e não deixar elas te enrolarem! 

 

 

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