É menino ou menina?

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Quando eu fui fazer o ultrasom de 16 semanas das crianças, eu quis saber os sexos. Primeiro pelo fato de eu ser imensamente curiosa (e ansiosa), e segundo, que pra quem vive no Brasil, sabe que é um caos, comprar badulaques de bebês sem ter sexo especificado ali na hora, na loja. Tudo é muito de menino, ou muito de menina. 
De fato isso sempre foi o tipo de coisa que pouco me importou, nunca quis ter um menino, ou uma menina quando fiquei grávida. Quando todos falavam pra mim “tomara que seja um casal”, eu não conseguia (e não consigo entender até hoje), qual a necessidade de formar pares, das pessoas que tem filhos. Todo mundo, mas todo mundo mesmo, diz pra mim “ainda bem que é um casal né… porque aí pode fechar a fábrica logo” e todas as pessoas, sem exceção ficam espantadíssimas quando eu respondo que eu ia fechar de qualquer jeito, sendo qualquer coisa.

Só que, lá na ultra, eu descobri que realmente é um casal. Aí você para pra pensar. E agora?! Como criar um menino e uma menina ao mesmo tempo? Simples, crie-os como crianças. O problema de hoje em dia, é que a nossa sociedade extremamente sexista nos impõe uma definição de gênero, não somente pelos órgãos sexuais das crianças, mas pelas roupas, pelos brinquedos, pela mídia, pela cultura em geral. E agora?! Como é que a gente faz? Como é que anda na contra-mão dessa galera que acha que os filhos tem que ser “reizinhos” ou “princesinhas”?

Eu ainda não encontrei a resposta, mas vou lutar pra educar meus filhos com igualdade de gênero. Pra mim não tem essa de que menino veste azul e menina veste rosa, que menino brinca com caminhão e menina brinca com boneca, que meninos são criados pra ganhar dinheiro e meninas são criadas para serem mães. Eu pretendo e vou me esforçar ao máximo pra criar os dois de forma igualitária, como pessoas, sem limitá-los a condições de gênero, porque eu mesma não tive limitações em relação à minha criação, tanto usava vestidos, como sempre tive cabelo curto e brincava com tartarugas ninjas. 

Aí vira e mexe, quando eu toco nesse assunto, algum engraçadinho vira e pergunta “mas você não acha, que criar os dois, assim, brincando juntos o tempo todo com as mesmas coisas, um deles não vai ser gay?”, aí amiguinho, para e pensa cá comigo: Faz diferença? Não! Eu vou amar menos meus filhos se forem gay, lésbica, travesti?! Não! Vou me revoltar contra o mundo se isso acontecer? Não! Vou dizer que os amo apesar disso? Não! Filho é filho, independente de QUALQUER coisa… seja ele gay, hétero, transexual, evangélico, católico, espírita…

Essa semana além das notícias costumeiras me chocarem, uma me chocou em particular, a da Sofia, uma travesti que foi vítima de assédio sexual e crime de ódio, enquanto andava de ônibus. Só que ela, teve a cara e a coragem, de levar isso à público, de levar isso à delegacia, de mostrar isso pro mundo. Sofia foi, como tantas outras mulheres, bolinada em um transporte público, e ao reagir ao seu agressor, foi rechaçada por outro passageiro, pelo fato de não ter nascido mulher, foi agredida física e verbalmente, por aquele sujeito, e foi agredida mentalmente por sei lá quantas pessoas que estavam presentes naquele ônibus e simplesmente riram da situação, foi agredida por todos que ao terem conhecimento do caso, acham que não foi nada demais, é agredida diariamente por uma sociedade que acha que o único emprego para travestis e transsexuais é a prostituição, ela é agredida todos os dias, por todos nós. (Leia a matéria do G1 aqui

Aí eu te pergunto, e se fosse sua filha? E se teu filho virasse pra você e falasse: Mãe, eu me sinto mal com o corpo que eu nasci, eu quero ter outro gênero? E se? Você se deixaria levar por uma sociedade sexista ou pelo amor ao seu filho. Vai prezar pelos “bons costumes” onde homem é homem Deus fez Adão e Eva e não Adão e Ivo e mulher é mulher, ou vai prezar pela felicidade do seu filho? Tá difícil escolher pra você que quer que seu filho seja príncipe e sua filha uma princesa. Tá difícil pra você que assume a posição “eu não tenho preconceito, mas prefiro que meu filho não seja gay”. 

Eu, em minha posição de grávida, só quero que meus filhos cresçam, saudáveis e felizes. Que cresçam pessoas boas, sinceras, honestas, de bom caráter, livres das amarras que a nossa sociedade impõe. Que sejam o que quiserem, que namorem quem quiserem, que me deem netos, se assim o desejarem, que saibam, que mesmo errando, a gente tenta fazer o melhor. Que mãe (normalmente) ama os filhos acima de qualquer coisa. E eles crescerão com seus casais de tios e casais de tias ao meu lado, e que saibam que qualquer forma de amor vale à pena. 

Sugiro que todos assistam o vídeo abaixo! Chega de narrativas limitadoras às nossas crianças.

 

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4 comentários sobre “É menino ou menina?

  1. Parabéns, mãe! Parabéns por ter essa idéia de vida e querer aplica-la em seus filhos. Tenho certeza que serão adultos maravilhosos. Sou gay, tenho 20 anos e eu, junto do meu companheiro, quero fazer dos meus filhos, pessoas felizes. Idependente do que quiserem ser. Queria eu poder lhe dar parabéns e um abraço pessoalmente!

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  2. Parabéns! É bem isso! Tenho 2 filhas. Uma com 3 anos e outra com 3 meses. Me fez lembrar dos personagens de aniversário e sempre deixo ela escolher, este ano ela escolheu das princesas, não só de uma, mas de todas juntas, pois ela disse que gosta de todas. Mas pro ano que vem ela quer que seja do scooby-doo. E já estou me programando! Não imponho nada a ela, ela escolhe a roupa, os desenhos, os brinquedos e os temas de seus aniversários e assim vai ser com a menor também. A menor tem roupas de todas as cores, não tenho problema nenhum em relação a isso! Quero que minhas filhas sejam cidadãs felizes e de bem. E ponto!

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