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Em que momento eu tomei ácido?!

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Cara, há um tempo atrás eu tinha lido um post da Luisa lá do Potencial Gestante, falando insanidade gravídica. E eu como nunca fui normal, fiquei achando que essas coisas comigo iam acontecer de forma mais branda… Mas não! Quando me dei conta, parecia que eu estava alucinando, sei lá, como quem toma ácido, chá de cogumelo, chá de fita, algo do gênero crianças não façam isso em casa pra saber como é que é.

Me lembro das vezes que eu fiquei assim por medicação… a primeira foi quando tive uma crise renal das brabas e tomei tramal na emergência do hospital, fiquei tão bem, tão de boa, tão na paz, que a dor passou, fui liberada, e quando entrei no carro, as luzes da cidade estavam tão brilhantes, tão bonitas, tão cheias de cor… e foi nessa hora que o Dudu falou comigo e quando eu girei a cabeça pra falar com ele, ele não era ele, ele era o Stuart Little… HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA… Ainda me pego rindo disso.  A segunda e última vez que eu alucinei assim, foi quando voltei da anestesia da curetagem que eu fiz, segundo a minha mãe e o Dudu eu tava lá muitcho loca falando que estava morrendo de fome e queria uma lasanha quatro queijos gordoéfoda.

Mas peraê, eu não tava grávida quando alucinei antes e agora, meus caros amigos, o quequitácontecenu?

O que está acontecendo é que outro dia eu tava lá, linda e com dor na pança pela rave dessas crianças e resolvi entrar na banheira pra ver se aliviava o peso e a dor. Enchi a dita cuja de água, coloquei meus sais ryca, e entrei lá naquela água morninha, que agora já não cobre mais a barriga… E comecei a viajar, em como aquela situação que eu estava similar às crianças, que tão nadando numa piscina quentinha agora e tal, não sei o que, pararápererépãoduro, fiquei me imaginando dentro do meu útero com eles dois, interagindo, brincando, meio claustrofóbica, mas tava maneiro… Até que eu fui despertada do meu momento in fetu, quando o Dudu entrou no banheiro e me viu em posição fetal na banheira, com metade da cabeça enfiada na água, e só o nariz de fora pra poder respirar. Patético é fato, mas isso é só a constatação do que vem a seguir…

Outro dia, eu acordei, como tantas outras noites, adivinha pra quê?! Fazer xixi, é claro, como sempre. Agora eu já não me lembro se eu o acordei, ou se ele tava acordado, ou qualquer coisa que o valha, até porque agora tá fueda de levantar sem acordar o coleguinha do lado, mas enfim… eu levantei, abri a porta do quarto das crianças e quando já estava lá baixando as calças, escuto uma voz vindo do além, do além do meu quarto só se for…
– Carol, o que que você está fazendo aí?
– Xixi ué…
– No quarto das crianças?
E foi aí que me liguei que tinha aberto a porta errada (que é do outro lado do corredor, diga-se de passagem) e estava prestes a mijar, sei lá onde… Subi minhas calças e voltei pro meu quarto, como se nada tivesse acontecido. Quando eu entrei rola o seguinte diálogo:
– Mas você não ia fazer xixi?
– Ia.
– Não vai mais?
– Vou.
– Então vai.
– Ah tá.
Aí você pensa, o que essa grávida de seis meis ia fazer? Deitar de novo e mijar na cama toda se o marido não lembrasse que precisava mijar? PROVÁVEL. Mas o fato é que eu fiz xixi, e voltei a dormir e a noite transcorreu sem maiores incidentes aquáticos.

Até que hoje, eu achando que tudo isso tava tranquilão, eu acordo, levanto pra beber uma água e quando vejo meu cachorro encolhidinho no sofá e escuto ele falar pra mim:
– Mãe, tô com frio, me cobre?
Aí eu me pego pensando que eu não sei o que é mais estranho… se é meu cachorro falando comigo, ou se fui eu, que ignorei as regras de sanidade mental E FUI LÁ COBRIR O CACHORRO. E voltei pro meu quarto como se isso fosse a coisa mais normal do mundo…

Tá brabo! Demais! To alucinando direto.
Tô meio Alice no País das Maravilhas, dançando com o Ringo Starr vestido de tartaruga, e vendo a rainha branca virar uma ovelha…
Ainda bem que a minha faculdade tá trancada, porque nesse momento, meus professores e minhas amiguinhas já teriam me internado no Pinel.

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“Ser mãe”

Acho que o maior medo da minha vida sempre foi “ser mãe”. 
Eu sempre vi essa expressão como um fardo a ser carregado (não deixa de ser), medo de perder minha vida, minha liberdade, minhas noite de não-sono e meus dias de preguiça, perder a intimidade com o marido, perder os cabelos, perder o controle… 
Não que eu tenha muito controle… não tenho controle sobre quase nada. 
Mas o risco das incertezas sempre me deixou um pouco desnorteada, porque, vamos concordar, que ter um filho é se cercar de incertezas de todas as espécies na vida, incerteza da gestação saudável, do nascimento saudável, do parto, da vinda para casa, de tomar conta e principalmente de “dar conta”. 

E desde que eu me descobri grávida de gêmeos minha mente se povoou de outras incertezas…

E se a gravidez não for pra frente de novo?
E se um dos dois ficar pelo caminho?
E se eu tiver um problema grave?
E se eu engordar demais?
E se eu engordar de menos?
E se a translucência nucal der alguma coisa?
E se eu tiver um parto normal?
E se eu tiver uma cesariana?
E se eles nascerem prematuros?
E se eles forem pra UTI?
E se eu não tiver leite?…

E assim, eu, como qualquer outra grávida, vai criando um monte de caraminholas na cabeça, ficando cada dia mais maluca em relação às crianças. Claro que muito disso é fruto de minha total inutilidade, visto que estou de licença (do pique-alto) do trabalho, e ninguém deixa eu fazer nada, ou seja, tô bem inútil mesmo, aí fico divagando com a minha mente em momentos apropriados e inapropriados.

Muitas das minhas incertezas já foram por água abaixo. Eu ando perfeitamente saudável, com a barriga crescendo, engordando mais do que meu médico gostaria, devo confessar, mas quem, nesse planeta terra vai me recriminar por sentir fome?! Meudeusdocéu, sinto mais fome do que a seleção inglesa de rugbi saída de um jogo. Minha pressão arterial tá sensacional, minha glicose também. Ando meio anêmica, mas também né… tem dois comendo da minha comida aqui além de mim, e vamos combinar que não sou das maiores fãs de feijão ou fígado (erck), além do fato de ter um marido vegetariano, e às vezes (sempre) eu ter preguiça de fazer comida pra mim, e acabo não comendo nenhuma proteína animal mesmo não… Mas nada que um suplementinho de ferro não resolva. Os bebês também estão saudáveis, crescendo e se mexendo bastante, e me incomodando bastante. 

E assim, aos poucos vou colocando à prova minhas preocupações  e vendo que não era nada daquele bicho de sete cabeças que eu acreditava ser. E foi aí que me dei conta que “ser mãe” é muito mais do que ter um (ou dois, ou três, ou vários) fardos para carregar para o resto da vida. É muito mais que isso. “Ser mãe” é ficar maluca, paranóica, esquisita, com amor e uma porção de sentimentos por umas coisinhas que ainda nem nasceram. É compreender que a sua vida vai virar de ponta-a-cabeça, mas que chega uma hora que você não tá nem aí, afinal, se não dá pra andar com os pés no chão, que andemos como morcegos. “Ser mãe” é ter controle, mas constantemente perder o controle, sobre os filhos, sobre as coisas, sobre si mesma. 

E com isso eu entendo mais minha mãe, que um dia entendeu mais minha vó, e assim sucessivamente…

E eu continuo aqui, com 25 semanas, dois lêmures saltitantes na pança e um monte de caraminholas na cabeça.

Porque ser mãe é isso, aprender a conviver com suas caraminholas e não deixar elas te enrolarem! 

 

 

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É menino ou menina?

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Quando eu fui fazer o ultrasom de 16 semanas das crianças, eu quis saber os sexos. Primeiro pelo fato de eu ser imensamente curiosa (e ansiosa), e segundo, que pra quem vive no Brasil, sabe que é um caos, comprar badulaques de bebês sem ter sexo especificado ali na hora, na loja. Tudo é muito de menino, ou muito de menina. 
De fato isso sempre foi o tipo de coisa que pouco me importou, nunca quis ter um menino, ou uma menina quando fiquei grávida. Quando todos falavam pra mim “tomara que seja um casal”, eu não conseguia (e não consigo entender até hoje), qual a necessidade de formar pares, das pessoas que tem filhos. Todo mundo, mas todo mundo mesmo, diz pra mim “ainda bem que é um casal né… porque aí pode fechar a fábrica logo” e todas as pessoas, sem exceção ficam espantadíssimas quando eu respondo que eu ia fechar de qualquer jeito, sendo qualquer coisa.

Só que, lá na ultra, eu descobri que realmente é um casal. Aí você para pra pensar. E agora?! Como criar um menino e uma menina ao mesmo tempo? Simples, crie-os como crianças. O problema de hoje em dia, é que a nossa sociedade extremamente sexista nos impõe uma definição de gênero, não somente pelos órgãos sexuais das crianças, mas pelas roupas, pelos brinquedos, pela mídia, pela cultura em geral. E agora?! Como é que a gente faz? Como é que anda na contra-mão dessa galera que acha que os filhos tem que ser “reizinhos” ou “princesinhas”?

Eu ainda não encontrei a resposta, mas vou lutar pra educar meus filhos com igualdade de gênero. Pra mim não tem essa de que menino veste azul e menina veste rosa, que menino brinca com caminhão e menina brinca com boneca, que meninos são criados pra ganhar dinheiro e meninas são criadas para serem mães. Eu pretendo e vou me esforçar ao máximo pra criar os dois de forma igualitária, como pessoas, sem limitá-los a condições de gênero, porque eu mesma não tive limitações em relação à minha criação, tanto usava vestidos, como sempre tive cabelo curto e brincava com tartarugas ninjas. 

Aí vira e mexe, quando eu toco nesse assunto, algum engraçadinho vira e pergunta “mas você não acha, que criar os dois, assim, brincando juntos o tempo todo com as mesmas coisas, um deles não vai ser gay?”, aí amiguinho, para e pensa cá comigo: Faz diferença? Não! Eu vou amar menos meus filhos se forem gay, lésbica, travesti?! Não! Vou me revoltar contra o mundo se isso acontecer? Não! Vou dizer que os amo apesar disso? Não! Filho é filho, independente de QUALQUER coisa… seja ele gay, hétero, transexual, evangélico, católico, espírita…

Essa semana além das notícias costumeiras me chocarem, uma me chocou em particular, a da Sofia, uma travesti que foi vítima de assédio sexual e crime de ódio, enquanto andava de ônibus. Só que ela, teve a cara e a coragem, de levar isso à público, de levar isso à delegacia, de mostrar isso pro mundo. Sofia foi, como tantas outras mulheres, bolinada em um transporte público, e ao reagir ao seu agressor, foi rechaçada por outro passageiro, pelo fato de não ter nascido mulher, foi agredida física e verbalmente, por aquele sujeito, e foi agredida mentalmente por sei lá quantas pessoas que estavam presentes naquele ônibus e simplesmente riram da situação, foi agredida por todos que ao terem conhecimento do caso, acham que não foi nada demais, é agredida diariamente por uma sociedade que acha que o único emprego para travestis e transsexuais é a prostituição, ela é agredida todos os dias, por todos nós. (Leia a matéria do G1 aqui

Aí eu te pergunto, e se fosse sua filha? E se teu filho virasse pra você e falasse: Mãe, eu me sinto mal com o corpo que eu nasci, eu quero ter outro gênero? E se? Você se deixaria levar por uma sociedade sexista ou pelo amor ao seu filho. Vai prezar pelos “bons costumes” onde homem é homem Deus fez Adão e Eva e não Adão e Ivo e mulher é mulher, ou vai prezar pela felicidade do seu filho? Tá difícil escolher pra você que quer que seu filho seja príncipe e sua filha uma princesa. Tá difícil pra você que assume a posição “eu não tenho preconceito, mas prefiro que meu filho não seja gay”. 

Eu, em minha posição de grávida, só quero que meus filhos cresçam, saudáveis e felizes. Que cresçam pessoas boas, sinceras, honestas, de bom caráter, livres das amarras que a nossa sociedade impõe. Que sejam o que quiserem, que namorem quem quiserem, que me deem netos, se assim o desejarem, que saibam, que mesmo errando, a gente tenta fazer o melhor. Que mãe (normalmente) ama os filhos acima de qualquer coisa. E eles crescerão com seus casais de tios e casais de tias ao meu lado, e que saibam que qualquer forma de amor vale à pena. 

Sugiro que todos assistam o vídeo abaixo! Chega de narrativas limitadoras às nossas crianças.

 

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Crianças e Cachorros

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Desde que eu fiquei grávida, um monte de gente vira pra mim e pergunta:

“- O que você vai fazer com o cachorro quando as crianças nascerem?”

Aí logo eu penso… Mas que bosta de pergunta besta! É obvio que eu vou ficar com meu cachorro, oras.
Eu que fui lá buscar ele quando ele ainda era um filhotinho e veio correndo no meu colo, com aquela cara esquisitinha, toda preta de quando ele era bebê. Quando o Fred veio para as nossas vidas, eu ainda não tinha me mudado, aí ele passou alguns meses na casa dos pais do Dudu, mas logo que nos mudamos aqui pras colinas verdejantes, ele veio com a gente, esse cabeça de alfinete.

É difícil criar um cachorro grande em um apartamento? É. Eu queria dar muito mais espaço pra ele, do que o que a gente realmente tem aqui em casa, mas como não tem remédio, remediado está.

A verdade é que eu acho que ele sabia que eu estava gravida antes de eu saber. Ele sempre foi muito carinhoso, mas desde que as crianças estão na pança, ele está bem mais, carinhoso e cuidadoso (dentro dos limites de velociráptor dele) comigo. Passa horas do dia com a cabeça deitada na minha barriga, aí vira e mexe vai lá, cheira, acha esquisito aquele tamanho todo e deita de novo. Dizem que os cachorros sentem o cheiro dos hormônios quando a mulher engravida… e o Fred sentiu aqui, ainda mais com hormônio em dobro.

Estamos acostumando ele aos poucos à nova rotina que vai chegar aqui em casa daqui a pouco… Tem um portãozinho daqueles de cachorro na porta do quarto das crianças, pra fechar nos momentos que for mais conveniente, tudo que chega aqui em casa, que seja pra eles, apresentamos a ele… aí ele vai, cheira, fica meio eufórico, mas entende (eu acho) que aquelas coisinhas são dos pequenos macaquinhos saltitantes da barriga.

Eu acho que a transição, de sermos só nós três em casa, para sermos cinco, vai ser mais fácil do que a maioria imagina. Conhecendo o meu cachorro, eu acho que ele não vai ter ciúmes nosso com as crianças, ele vai ter ciúmes das crianças com outras pessoas… E já estamos em prevendo um futuro próximo, um whippet daqui de casa, vestido com saia de bailarina, coroa na cabeça e parte do corpo pintado de canetinha!!!

Além disso, estudos indicam que crianças menores de um ano que convivem com cachorros (ou gatos) têm uma tendência menor a desenvolver alergias respiratórias (a mãe do nariz entupido agradece, 3 tomando Claritin não dá) e asma (alô Aerolin) quando mais velhos. Pra quem duvida do estudo, o link do artigo tá aqui! Quem não conseguir abrir, me avisa que eu mando o PDF.

E como a Nicolle me disse ontem no telefone “Carrrol, o Fled não é só um cachorro, ele é nosso bebêzinho também.”

Tem como não amar?! E quem já viu esses dois juntos, sabe que é a coisa mais fofa do mundo todo!

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Sessão de cinema

Desde que começou a ficar apertado aqui dentro da barriga, quando os bebês resolvem se mexer muito, fico me sentindo meio que num filme de ficção científica, mais precisamente Alien – o 8º Passageiro. Não tem, não tem mesmo como não me sentir a Sigourney Weaver, com essa mexilança toda na barriga, é pé de um no meu diafragma, cabeçada na bexiga e de vez em quando a barriga parece uma piscina de ondas. Todos os dias, no mesmo horário! A MADRUGADA… o caos dura de 1 hora da manhã até umas 5 e pouco… Resultado: a grávida acordada a madrugada TODA, assistindo filmes de terror.

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Mas ontem, ah… ontem… Ontem fui fazer tal da ultra morfológica… e olha que beleza gente, meu filme saiu da ficção científica pra uma comédia romântica dos anos 50. Eu parecia a Audrey Hepburn na carona da vespa do Gregory Peck conhecendo Roma… Só que ao invés do Gregory Peck era o médico fazendo a ultra e Roma eram as crianças…Imagem

E eu lá, achando lindo, bocas, narizes, cabeças, braços, pernas, pés… ah… os pés… tão bonitinhos, tem até a curvinha do pé, eu que tenho os pés do Fred Flintstone, acho isso o máximo. Claro que o médico ficava falando coisas ininteligíveis e mostrava um bando de coisas que eu não conseguia enxergar, mas eu não estava nem aí, ficava ouvindo aquela voz do médico lá no fundo e imaginando a comunicação deles dois na barriga… tão bonitinho, Pedro mais quietinho, adorando posar pras fotos, com coxinhas que dá vontade de morder, ali com o braço no rosto da irmã… pra não deixar ninguém tirar foto dela, como se estivesse abraçando… uma deliciosidade. Foi nessa hora que pluft, eu quase desmaiei. HAHAHAHAHAHAHAHA… Seria cômico se não fosse trágico, não sei se foi a posição que eu estava, mas minha pressão que já é um lixo de baixa, estava caindo vertiginosamente… Na verdade eu acho que isso foi um choque só pra eu voltar a realidade e parar de viajar na maionese.

Mas a grande verdade é que sei lá porque raios, vê-los tão bonitinhos naquela TV me deixou meio bobinha, meio in love pela gestação. Achando legal estar aqui, prenha de dois, e achando uma coisa mágica como cabem duas crianças no lugar que não era pra caber nenhuma. E assim saí da clínica, com o exame em mãos e toda serelepe mandando fotos das crianças pra meio mundo. 

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Aí a pessoa volta pra casa e na hora de dormir volta pra realidade do filme de ficção científica. Pois é… Nem tudo é como a gente gostaria de ser. Bom mesmo seria ficar ali, parada na sala de ultrasom, naquele momento, amando os bebezinhos, querendo que eles saiam nunca da minha barriga, mas a realidade é que eu queria dormir agora e acordar quando eles fossem nascer, até porque esse negócio de ficar grávida (e em casa) cansa e eu já me sinto como se estivesse grávida há mais tempo do que eu realmente estou. Isso se deve ao fato de eu ter emendado uma gravidez na outra Atenção: Não façam isso em casa!!!!
Quando eu falo pra mamãe que as crianças parecem aliens aqui na pança, ela fica revoltada comigo… mas é meu jeitinho carinhoso (e muito do delicado) de lidar com meus pequenos parasitas. E não há meio de fazê-los dormir durante a madrugada, já tentei de um tudo… chá de camomila (esse não me deixa dormir, tomar chá antes de dormir resulta em um milhão de xixis), conversar com eles, brigar com eles, cantar musica de ninar, andar balançando pela casa, colocar Mozart, cantar hino de igreja, ponto de macumba, banho de sal grosso… N-A-D-A funciona. Só a mão da minha mãe. Que magicamente, eles podem estar fazendo nado sincronizado, quando ela coloca a mão na pança e eles param NA HORA… Dudu diz que são mãos de Reiki, ou mãos de passe, ou mãos que curam… mas na hora de dormir eu só penso: “Mãe, cadê você?!”, como em todo bom filme de terror. 

E agora só me resta esperar meus pacotinhos de meio quilo de quibe engordarem e crescerem… tá tudo bem, tudo bonito com eles. Pra onde eles vão crescer e engordar, isso eu já não sei. Mas a saga continua, afinal, ainda faltam 17 semanas. 

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Nome aos bois

ImagemSe tem uma coisa que me irrita muito, mas muito, tanto que me dá uma gastura no coração, é adulto que muda o nome das coisas só porque acha nojentinho. jesuscristopaieternomemata.

Quando eu era pequena, lá em idos 1991, assistindo “Um tira no Jardim de Infância” eu aprendi, que meninos têm pênis e meninas têm vagina. E que um ginecologista é um cara que vê vaginas o dia tooooodo. Minha mãe nunca, jamais desmentiu toda a veracidade daquele filme, afinal, era verdade.

Eu entendo, eu juro, quando você vai ensinar pras crianças sobre partes íntimas, dar uns nomes esquisitos… pintinho, piu piu, piru, pepeca, perereca, baratinha e um quinquilhão de sinônimos para essas coisas, porém, contudo, todavia… as crianças crescem e aprendem os nomes reais das coisas e não os nomes idiotas que damos para elas. Eu queria entender, porque raios, as mulheres dos grupos de mães do facebook (é gente, eu to de licença em casa, tenho muito tempo livre e fico lendo abobrinha nas internetes), que conversam com outras mulheres adultas, onde são todas sexualmente ativas (ou mais ou menos né…) ficam chamando suas partes íntimas por apelidos, é vergonha?! É nojo?! É o que?!

É tabu, chamar vagina de vagina?! É?! É?! A gente pode falar palavrão à torto e à direita (Não tô julgando, gentch, eu falo muito palavrão também), mas não pode falar, pênis?! Menstruação então, minhanossasenhoradoscabrobrós, nunca leio menstruação nos diálogos internetísticos das mães (a não ser quando eu falo alguma coisa), menstruação, é sempre monstra, maré vermelha, “aqueles dias”, nunca M-E-N-S-T-R-U-A-Ç-Ã-O. Lá em casa nunca rolou muito essas frescuras, eu quando “fiquei mocinha” HAHAHAHAHAHAHAHAHA, meu pai (vejam só que pai), me levou no supermercado e comprou um pacote de absorvente de cada modelo, cada marca, cada tamanho… pra ver qual eu ia me adaptar. E eu nunca “recebia visitas”, eu menstruava mesmo (agora graças ao bom jah e à prenhez, tô isenta disso por um tempo), minha mãe também, e todo mundo da minha família, isso nunca foi tabu.

Gentch, menstruação é fisiológico, normal, acontece… é teu corpo falando que tá tudo bem, tá tudo beleza, tá tudo funcionando direito. É tipo fazer cocô ou fazer xixi (foi mal, mas evacuar e urinar soa mais feio que cagar e mijar). Mas também tem gente que tem tanto pavor dos próprios conteúdos corporais que liga o chuveiro só pra disfarçar que tá ali, pintando a louça, ou então fica diiiiiiiiiiiias sem fazer cocô só porque viajou e tem vergonha de dividir banheiro.

Ah vá. Estamos em 2014 minha gente. Se a gente pode falar de qualquer coisa em público, sem correr (muito) o risco de ser presa, morta, torturada, por que vamos continuar nos escondendo e passando à frente esses tabus?! Por quê?!

Um beijo, de uma mulher que tem vagina, menstrua, faz xixi, cocô, está prenha, fala palavrão e tem pavor de tabus.

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Lá em casa não tem miserê.

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A verdade é que lá em casa a vida é meio caótica.

E todo caos vem acompanhado de coisas boas e coisas ruins.

Quando eu nasci, lá baleia, linda e careca, deus me falou que eu ia ter 3 mães. E é bem verdade! total verdade.

Tem a mãe que me pariu, aquela que faz o papel de durona, que assumiu o papel de mãe… daquelas que briga por causa do dever de casa, te obriga a comer feijão (até hoje) e te coloca um cabresto. Mas também tem um lado doce que é incomparável ao de qualquer pessoa. Me ensinou que na vida nada vem de “mão beijada” e que se eu quisesse alguma coisa do mundo eu deveria me esforçar por aquilo, acho que eu aprendi direitinho. Ainda me lembro com dor no coração de todas as vezes que quase a perdi… Acho que nada na vida foi tão doído assim.

Tem a minha Dinda, mãe porque eu fui sua primogênita, assim como ela é mãe da minha. Mãe, porque pra ser mãe não precisa necessariamente sair da barriga. Mãe essa que me deu minhas duas irmãs, a Gordinha e a Bolota (antes que me perguntem, não faço bule com elas não, elas são magras). Mãe que segurou minha onda nas horas mais difíceis. E que me levava no mc donald’s escondido da minha mãe… Mãe de gênio forte, que briga, grita, esperneia, mas coração molenga, tira a própria roupa se você estiver precisando.

E por último a minha vó, minha véia, meu bracinho pelancudo predileto (não só meu, mas da Gordinha e da Bolota também). Ela me deu as duas mães aí de cima, e de quebra ainda ajudou a criar nós três como se fôssemos suas próprias filhas, com ares de vó, é claro, mas ainda com um certo limite e educação que hoje em dia eu não vejo nem os próprios pais darem por aí. Minha vó, que vou contar um segredinho: dormi no quarto dela até bem velha… Eu tinha meu próprio quarto, mas eu gostava mesmo era do da minha vó, com minha cama do lado da dela, minha colcha desfiada e o ronco do meu vô de trilha sonora. Dotada do bom humor mais inacreditável desse planeta, obviamente alimentado com muito sarcasmo e ironia. O que ela me ensinou? Que rir é o melhor remédio, rir das coisas, rir dos outros e rir de si mesma!

Dia das Mães tá aí e eu não comprei nada pra ninguém… Mãe de gêmeos fica pobre melbem!

Mas elas sabem como é grande o meu amor por você que o amor que eu tenho por elas é incondicional.

Feliz Dia das Mães pra elas, que fizeram de mim quem eu sou. E Feliz Dia das Mães pra mim também, aqui com essas crianças na barriga.

E se você está se perguntando sobre o caos… pensa cá com os meus botões: Se uma mãe pode te levar do céu ao inferno em 5 minutos, imagina com 3. Imaginou?! Welcome to my life.